
De fato, para uma boa tomada de decisões é vital:
- Priorizar o valor do negócio acima da otimização local
- Decidir com informação suficiente, não perfeita
- Descentralizar decisões, mantendo clareza de propósito
- Experimentar antes de escalar
- Revisar as decisões de forma contínua, não apenas durante uma crise
O paradoxo é que, desses cinco princípios, os menos praticados nas organizações são justamente o primeiro, o segundo e o último. E são exatamente os que mais se fazem necessários em contextos de mudança acelerada.
De fato, a agilidade não é uma moda, é uma resposta necessária à complexidade do contexto atual. A folha em branco do início do ano pode ser um convite para nos perguntarmos se estamos preparados para decidir e ajustar com a velocidade que o momento exige, ou se continuaremos esperando uma perfeição que o contexto já não permite.
Não se trata de sugerir que as organizações devam ser geridas com a lógica de uma operação militar, nem muito menos. Mas é necessário, sim, confrontar uma pergunta essencial: está-se liderando para o mundo que se deseja ou para o mundo que existe? As organizações são capazes de definir qual é a informação suficiente para avançar? As decisões estão sendo avaliadas pelo seu impacto real no negócio ou por métricas de conveniência departamental? Existe a disciplina de revisar o que foi decidido antes que a crise obrigue a fazê-lo?
As regras do jogo estão sendo reescritas constantemente. A pergunta não é se isso agrada ou não; a pergunta é se as organizações estão equipadas para navegar essa realidade com a velocidade, o critério e a capacidade de aprendizado que o momento exige. Porque, no fim das contas, em um mundo onde tudo pode mudar em 140 minutos, a verdadeira vantagem competitiva não está em prever o futuro, mas na capacidade de decidir, agir, aprender e ajustar com velocidade e propósito.
A folha em branco é um convite. Mas o calendário não vai esperar até que todas as respostas estejam disponíveis.
Por Marcelo Blechman, sócio da Olivia.