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Há dois imperativos que as empresas em todo o mundo e de todos os setores precisam integrar de forma estratégica como eixos centrais de seus negócios: a digitalização e a sustentabilidade. E não devem ser considerados como dois desafios paralelos e desconexos, mas é fundamental buscar a interseção entre ambos e concentrar todos os esforços nessa simbiose para gerar o maior impacto positivo na competitividade. Isso é conhecido como "transformação gêmea": digital e sustentável.

A transformação digital não é mais apenas uma ferramenta para otimizar processos, melhorar a eficiência e reduzir custos, mas requer uma mudança cultural profunda, baseada em uma visão abrangente dos processos de produção e otimização por meio da tecnologia.

Por outro lado, a sustentabilidade consiste em integrar os aspectos ambientais, sociais e de boa governança, atendendo às necessidades por meio da proteção e uso racional dos recursos naturais, em prol de um crescimento econômico equitativo que garanta o futuro do planeta. Investir na sustentabilidade como objetivo estratégico exige esforço, mas em troca oferece grandes benefícios às empresas: torna-as mais rentáveis, permite capturar melhores oportunidades de investimento e é um incentivo para que seus stakeholders atuem como impulsionadores da mudança.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF), as organizações que implementaram estratégias de impacto ambiental positivo nos últimos anos cresceram quase 15% anualmente, poupando quase 3,7 milhões de dólares. Além disso, esta instituição estima que 70% do valor econômico criado durante a próxima década será baseado em modelos de negócio de plataformas digitais.

Como funciona a twin transition

Esta dupla transição opera de maneira cíclica, conectando  tecnologia e sustentabilidade. No conjunto, funcionarão como aceleradores de competitividade. Portanto, as empresas que conseguirem realizar com sucesso essa transformação gêmea terão, sem dúvida, uma posição privilegiada para alcançar um melhor desempenho no futuro.

A tecnologia e os dados são aliados estratégicos para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. A transformação digital permite uma gestão mais eficiente dos recursos, uma redução da pegada ambiental e uma melhoria na qualidade de vida das pessoas. E, inversamente, a sustentabilidade deve guiar o caminho da transformação digital. Por exemplo, estima-se que em 2040 o armazenamento de dados digitais seja responsável por 14% das emissões globais, e, por sua vez, as soluções digitais podem reduzir as emissões globais em até 20%.

Inspirar e impulsionar a dupla transformação pode garantir soluções verdadeiramente úteis que nos levem a um futuro mais justo globalmente, resultando diretamente em maior rentabilidade para as empresas. Seu potencial pode melhorar significativamente os processos em diversos setores da economia.

Por exemplo, na construção, permite a coleta e análise de informações para otimizar o uso de energia e detectar mudanças climáticas. Na agricultura, pode antecipar as necessidades das culturas e controlar pragas com drones, possibilitando uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos e a adoção de técnicas de cultivo mais sustentáveis. Na indústria manufatureira, é possível aprimorar a cadeia de produção e prevenir erros com a ajuda da medição de probabilidades e visão artificial.

No setor de energia, isso pode se traduzir na integração de energias renováveis, otimização da gestão da demanda e melhoria da eficiência energética; e na mobilidade, no estímulo ao transporte público e na criação de sistemas de transporte mais eficientes e menos poluentes.

Como impulsionar a dupla transformação

E, no entanto, apesar de as organizações reconhecerem todos esses benefícios, na prática, não impulsionam essas transformações gêmeas com a intensidade que deveriam. Segundo o WEF, isso se deve principalmente à falta de uma abordagem consistente e de colaboração entre as equipes internas, à inércia causada por complexidades percebidas e reais, ou à existência de prioridades estratégicas em conflito, entre outros aspectos.

No entanto, para implementar uma estratégia de dupla transformação, não é necessário ser uma grande empresa nem entrar em terrenos muito complexos ou inatingíveis, mas também pode fazer parte da estratégia de PMEs e empreendedores. Não se alcança de um dia para o outro; é necessário apoiar-se fortemente na inovação, no design de soluções centradas nas pessoas e no planeta, e identificar aceleradores de transição.

O WEF recomenda três fases a seguir para conseguir uma transição gêmea bem-sucedida:

  1. Estabelecer a ambição. Definir o que se quer alcançar e por quê, identificar os pontos críticos ou áreas de alto impacto, e o alcance da mudança, para estabelecer os eixos que orientarão o caminho.
  2. Entender e selecionar oportunidades para o negócio. É o momento de pensar na rota, e para isso é necessário avaliar o impacto da sustentabilidade dos ativos digitais, incluindo os custos operacionais, e identificar os agentes-chave dentro e fora da organização que podem apoiar a aceleração dos objetivos.
  3. Preparar a execução. Isso envolve validar a rota, alinhar as prioridades e dar forma à mensagem e aos passos a serem executados para garantir uma implementação efetiva.

Contar com uma consultoria externa especializada em gestão da mudança e transformações gêmeas é também uma forma de acelerar o processo. É inquestionável que abordar os desafios da digitalização e da sustentabilidade de forma integrada facilitará às organizações otimizar seus recursos, abrir novos mercados, aumentar os lucros e promover o bem-estar de uma sociedade circular e socialmente justa.

Por Oscar Velasco, sócio diretor de transformação da OLIVIA Espanha.

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