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As organizações precisam atrair, desenvolver e reter uma equipe que expresse  a diversidade das comunidades nas quais operam. Gerar condições para facilitar a incorporação de talentos com diferentes perfis é imprescindível.  

Estima-se que mais de 1 bilhão de indivíduos, ou seja, cerca de 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A quantidade de pessoas com deficiência está aumentando devido à prevalência de doenças crônicas e ao envelhecimento da população e, é provável que quase todos os seres humanos tenham algum tipo de deficiência - seja temporal ou permanente - em algum momento de suas vidas.  

Há motivos de sobra para que as empresas contem com estratégias de diversidade e inclusão. De acordo com um trabalho publicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre os benefícios é possível enumerar: 

1- Acesso ao talento: Se a atenção é centrada nas competências e não nos estereótipos, é possível ter acesso a uma nova reserva de talento   

2- Maior inovação: os empregados com experiências diversas aplicam enfoques diferentes para solucionar um problema.  

3- Maior sensação de fazer parte da empresa e maior retenção: os empregados que se sentem integrados são mais leais, mais comprometidos com os objetivos da empresa e entusiastas. 

4- Melhor imagem: os consumidores valorizam as empresas realmente comprometidas com a inclusão. 

Vantagens: todos se beneficiam de um lugar de trabalho inclusivo. Não somente as pessoas com deficiência. 

Hoje, as organizações começam a dar importância em poder contar com equipes diversas e inclusivas para potencializar os negócios. As companhias têm mais possibilidades do que nunca de captar pessoas com deficiência como consumidores e como clientes, mas também como empregados e diretores. Neste contexto, segundo a rede estadunidense Job Accommodation Network, em 58% dos casos, adaptar o posto de trabalho às pessoas com deficiência não representa nenhum custo e em 37% somente implica um investimento único ', explica Luis Fernando Ângulo, sócio da OLIVIA, consultoria internacional especialista em transformação organizacional.  

 

Boas práticas 

Incorporar, com sucesso, pessoas com deficiência na empresa requer uma estratégia integral de processos. Também é preciso ter práticas planejadas para identificar e eliminar barreiras, como obstáculos físicos, de comunicação e de atitude, que dificultam a capacidade das pessoas de ter uma participação plena na sociedade, assim como as pessoas sem deficiências, destaca um relatório realizado pelos Centros de Controle e Prevenção das Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A universidade Estadual da Carolina do Norte encoraja, sob sete princípios, para desenvolver o chamado 'projeto universal', cujo objetivo é simplificar a vida das pessoas com produtos, comunicações e entornos físicos mais fáceis de usar, algo que pode ser de utilidade para as empresas: 

1. Uso equiparável: Projeto útil pensado para todos. 

2. Uso flexível: O desenho se adapta a uma ampla gama de preferências e capacidades. 

3. Uso simples intuitivo: o uso do projeto é fácil de entender, independentemente da experiência, os conhecimentos, da habilidade idiomática ou do nível de concentração atual do usuário. 

4. Informação perceptível: o projeto transmite a informação necessária de um modo eficaz ao usuário, independentemente das condições de luz, som ou visuais ou das capacidades da pessoa para ler, ver ou ouvir. 

5. Tolerância a erros: o projeto minimiza os perigos e as consequências nocivas das ações acidentais ou não intencionais. 

6. Pouco esforço físico: o projeto pode ser usado eficaz e comodamente com um mínimo de esforço. Por exemplo, maçanetas fáceis de usar que facilitem a abertura de portas para as pessoas de todas as idades e com todo tipo de capacidades.   

7. Tamanho e espaço para o acesso e uso: são proporcionados tamanho e espaço adequados para o acesso, alcance, manipulação e uso, independentemente do tamanho corporal, a postura ou mobilidade da pessoa.   

Nesse sentido, o especialista da OLIVIA destaca que a crise sanitária, somada à crise econômica e à mudança climática, nos leva a redefinir nosso propósito como líderes para transmitir para nossas equipes as dicas que permitirão criar organizações empáticas e inclusivas. Porque, na verdade, primeiro devemos começar por nosso círculo. E, depois, o seguinte passo vai requerer um enfoque integral para poder assim, gerar uma verdadeira transformação cultural. 



Por Luis Fernando Angulo, Sócio de OLIVIA

Matéria originalmente publicada no Diário La Tercera Papel, 30 de julho 2022.

 

 

 

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